Justiça Americana aprova a fusão da AT&T com a Time Warner

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Em 2016, a gigante do entretenimento Time Warner aceitou ser comprada pela gigante das telecomunicações AT&T, proposta negociada pelo valor de US$ 85,4 bilhões. Ainda que tivessem firmado um acordo, devido à magnitude da transação, ambas as partes ficaram aguardando a aprovação do Departamento de Justiça dos EUA, órgão que chancela este tipo de transação.

Na época, o Departamento de Justiça não quis aprovar a compra alegando que a negociação concentraria muito poder nas mãos de poucos indivíduos e prejudicaria os consumidores, caracterizando o monopólio de mercado.

Segundo informações do NY Times, nesta terça-feira (12/06/2018), o juiz federal Richard J. Leon, do United States District Court (Tribunal Distrital dos Estados Unidos) em Washington, determinou que o governo americano (Departamento de Justiça) NÃO conseguiu provar que a compra da Time Warner pela AT&T levaria menos opções para consumidores ou preços mais altos para serviços de televisão e internet. Portanto, não haveria prejuízo para terceiros, descaracterizando o monopólio de mercado.

O Departamento de Justiça ainda não aprovou a compra, mas a decisão do juiz federal permitiu que a negociação fosse oficializada. Contudo, ainda existe a possibilidade do Departamento de Justiça entrar com recurso, pedindo revisão do veredito. Nos próximos dias devemos ter mais informações sobre este caso.

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De qualquer maneira, essa provável fusão criaria uma central de mídia e telecomunicações únicas, reformulando o mercado dessas indústrias e, é claro, afetará criativamente os produtos realizados por elas. Essa nova “terceira empresa” teria ao seu dispor um acervo gigante e valiosíssimo de marcas e empresas, como a Warner Bros. Studios (cinema e animação), Cartoon Network, DC Entertainment, HBO, Cinemax e CNN, além de um vasto alcance de distribuição por meio de serviços de televisão por satélite e sem fio em todo território dos EUA, entre outros países.

Executivos ligados ao setor de mídia relatam que as produtoras e distribuidoras de conteúdo videográfico devem se unir para sobreviver à concorrência de empresas de tecnologia como a Amazon e a Netflix. Essas empresas começaram a produzir suas próprias séries e filmes nos últimos anos. Mas agora, elas gastam bilhões de dólares por ano em programação original, e os usuários podem consumir estes vídeos pela TV, computador ou aplicativos no celular, colocando uma enorme pressão na logística das empresas de mídia tradicionais.

A aprovação desta aquisição, caso ela ocorra, deverá desencadear uma onda de outras aquisições corporativas. Executivos e investidores de outras empresas estão acompanhando de perto este julgamento, pois irá afetar diretamente as suas ambições. A exemplo da disputa entre a Comcast e a Disney pela compra da 21st Century Fox por US$ 60 bilhões, que ainda será analisada pelo mesmo Departamento de Justiça americano.