AnimaMundi 2018 começa em 3 dias!

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Desde o curta animado intitulado O Kaiser, animação tradicional realizada em 1917 por Álvaro Marins, considerado inclusive como a 1ª animação brasileira produzida, passando pelo fantástico trabalho de Anélio Latini Filho com a obra Sinfonia Amazônica de 1951, a 1ª animação nacional para o cinema, até a mais contemporâneas animação CGI de longa-metragem do país, Lino: Uma Aventura de Sete Vidas, lançado em 2017, da autoria de Rafael Ribas, que a indústria de animação brasileira, embora tenha passado por um longo período letárgico no passado, nos últimos 10 anos vem demonstrando um crescimento exponencialmente constante!

Em 2008, havia apenas 2 seriados animados em produção no Brasil. Hoje, 44 séries domésticas estão sendo exibidas na televisão brasileira e exportados para mais de 150 países. Nos cinemas, foram lançados 7 longas-metragens animados em 2017 e, até esta data, 5 em 2018 e mais 27 outros títulos atualmente em produção, incluindo numerosas co-produções com parceiros latino-americanos e europeus.

Não, não é à toa! Existem inúmeras razões para todo esse crescimento…mas sem dúvida, um dos fatores que contribuiu diretamente e fomentou toda essa movimentação surgiu em 1993, quando Aída Queiroz, Cesar Coelho, Léa Zagury, Marcos Magalhães, quatro animadores frustrados decidiram iniciar um festival, que mais tarde viria a ser o Anima Mundi.

Em 1982, o governo do Brasil trouxe animadores canadenses para liderar o primeiro treinamento de animação do país. O cineasta Marcos Magalhães, recém-chegado de uma bolsa de estudos no National Film Board of Canada, juntou-se ao projeto e partiu para uma busca nacional por animadores afins. Entre eles estavam Aída Queiroz, César Coelho e Léa Zagury.

Os anos seguintes mostraram-se transformadores. “Tivemos a oportunidade de nos reunir, discutir sobre filmes de todas as partes do mundo e realizar o nosso próprio trabalho. Estávamos abrindo nossas mentes para outras possibilidades ”, disse Marcos Magalhães, durante o Festival de Annecy em Junho de 2018. Os trabalhos dos quatro artistas ganharam prêmios em festivais internacionais, incluindo o filme Meow, de Marcos Magalhães, vencedor no festival de Cannes em 1982. Entretanto, depois disto não houve espaço no mercado nacional para dar continuidade aos trabalhos animados. Buscando construir algo mais permanente, o quarteto fundou o primeiro festival de animação do Brasil, o Anima Mundi.

O primeiro festival atraiu 7.000 participantes e cresceu rapidamente a partir daí, estimulando uma explosão na produção de animação independente no processo. Nos primeiros dias, apenas um ou dois filmes brasileiros eram submetidos a cada ano. Hoje, o Anima Mundi recebe anualmente mais de 300 projetos nacionais e atrai mais de 100.000 visitantes para o evento, que inicialmente acontecia apenas no Rio de Janeiro, e já há alguns anos devido ao seu crescimento, se estende a São Paulo também.

Fortalecido por esse número relevante de interessados por animação, o festival Anima Mundi conseguiu, entre outras conquistas, exercer influência entre possíveis investidores, produtores e formuladores de políticas ligados ao governo, incluindo a implementação de editais e financiamento governamental específicos para a produção de animação nacional.

“Acho que somos responsáveis de alguma forma pelo crescimento do setor”, diz Léa Zagury. “Criamos um espaço onde as pessoas poderiam se conectar, ver novas produções de outros países e aprender. Muitos jovens animadores conquistando sucesso agora começaram no Anima Mundi. ”

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Segundo o relatório de 2016 da FIRJAN, em 2015 a indústria criativa no Brasil gerou R$ 155,6 bilhões (US$ 47 bilhões), que corresponde a 2,64% do PIB Brasileiro, riqueza equivalente à soma dos valores de mercado das marcas Facebook, Zara e L’Oréal reunidas. Com a animação sendo um componente cada vez mais importante, o governo brasileiro não está perdendo e através da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) ou Brazilian Trade and Investment Promotion Agency, cuja missão é divulgar o conteúdo audiovisual brasileiro no exterior, esta investindo cada vez mais em festivais internacionais para promover o talento, mercado e indústria brasileira de animação. Reflexo desta ação pôde ser visto recentemente, agora em Junho de 2018, na produção de um espaço de 45m2 no Annecy International Animated Film Festival na cidade de Annecy na França, um dos mais importantes e relevantes eventos de animação do mundo.

Inclusive, durante o Annecy 2018, a gerente executiva da Brazilian Content, Rachel Do Valle, disse que o objetivo é “promover a indústria de animação do Brasil e gerar novos negócios, parcerias e co-produções. É um processo passo a passo para se tornar mais internacional. ” De acordo com o programa Brazilian Content, que visa promover a produção independente nacional de TV e conteúdo digital no exterior, possibilitando parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras, relata que hoje existem mais de 600 empresas fortes no Brasil que produzem conteúdo audiovisual e cerca de metade desta são ligadas diretamente a produção de animação.

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Marcos Magalhães acredita que a criatividade brasileira é seu maior patrimônio. “Nas co-produções, a maioria das partes criativas são brasileiras”, ele diz, “começamos criando nossos próprios personagens e séries animadas. Não somos conhecidos como trabalho de aluguel. ”

Apesar dos grandes avanços positivos nos últimos tempos, o mercado brasileiro de animação ainda enfrenta muitos desafios. A distribuição doméstica permanece atrofiada, particularmente para o conteúdo produzido no Brasil, enquanto a recente turbulência política e econômica tem moderado o crescimento. No entanto, os envolvidos na indústria de animação brasileira continuam otimistas.